11 das 50 maiores redes de franquias fecharam unidades em 2025. O que elas tinham em comum?

Operação comercial de franquia

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Em março de 2026, a Associação Brasileira de Franchising divulgou os números do setor: faturamento recorde de R$ 301,7 bilhões, crescimento de 10,5% e quase 1,8 milhão de empregos formais diretos. O franchising brasileiro cruzou pela primeira vez a barreira dos R$ 300 bilhões.

No mesmo relatório, um dado menos celebrado: a taxa de encerramento de unidades ficou em 6,4%. Um levantamento da IstoÉ Dinheiro mostrou que, entre as 50 maiores redes do país, 11 reduziram o número de unidades em operação ao longo do ano. A Odontocompany fechou 424 clínicas. Jet Oil, Shell Select e Lubrax+ somaram juntas 184 encerramentos.

Crescimento do setor e retração de unidades coexistem. Quando uma unidade fecha, raramente a causa é o produto ou a marca. Quase sempre é a operação comercial que nunca foi realmente estruturada: o processo de atender um lead, acompanhar uma oportunidade, fazer follow-up e tomar decisões com dados reais.

O que essas redes tinham em comum? Provavelmente o mesmo problema que a maioria das redes em expansão ainda tem: cresceram mais rápido do que seus processos comerciais conseguiram acompanhar.

O paradoxo silencioso do crescimento em franquias

Escalar não amplifica apenas o que funciona. Ela amplifica também tudo o que ainda não foi resolvido. Cada nova unidade que abre sem um processo comercial padronizado é mais uma versão diferente da mesma operação: um jeito diferente de atender o lead, um canal diferente de contato, um critério diferente de qualificação, uma forma diferente de registrar o que aconteceu.

A franqueadora passa a ter muitas unidades e pouca visibilidade real sobre cada uma delas. Não sabe qual está perdendo mais leads. Não sabe qual abordagem converte melhor. Não consegue replicar o que funciona, porque sem dados comparados, não sabe ao certo por que aquela unidade performa melhor.

Quanto maior a rede, mais urgente é a necessidade de padronização comercial, e mais difícil fica implementá-la sem a base certa de processo e tecnologia.

Quando cada unidade inventa seu próprio jeito de vender

A unidade A responde leads pelo WhatsApp pessoal do vendedor. A unidade B depende de um formulário do site que ninguém confere com consistência. A unidade C mantinha uma planilha atualizada toda sexta, até o vendedor que a alimentava sair. A unidade D usa um CRM diferente, escolhido pelo franqueado porque era o que ele já conhecia.

O resultado: a franqueadora não consegue comparar dados entre unidades, porque não existe dado comparável. Não há como saber qual canal gera os leads que mais convertem, qual etapa do funil está travando ou qual unidade está perdendo oportunidades por falta de follow-up.

Isso não é um problema de franqueado que não quer seguir regras. É um problema de arquitetura: quando não existe um processo comercial centralizado, cada um opera da melhor forma que consegue, e o resultado são operações incompatíveis entre si.

Os quatro pilares que uma operação comercial de franquia precisa ter

A tecnologia executa processo. Quando o processo não existe ou é inconsistente, a tecnologia apenas acelera a desordem. Quatro pilares precisam estar estruturados para que a operação comercial funcione com governança real.

Processo de atendimento ao lead. Da origem até o primeiro contato, tudo precisa seguir um fluxo definido pela franqueadora: tempo máximo de resposta, canal prioritário, roteiro de abordagem e critérios de qualificação. Uma pesquisa da Harvard Business Review mostrou que empresas que respondem leads em até uma hora têm sete vezes mais chances de ter uma conversa qualificada do que as que demoram mais de duas horas.

CRM como ativo da franqueadora, não da unidade. O CRM precisa ser um ativo da rede, onde a franqueadora enxerga o funil de todas as unidades e toma decisão baseada em dado real. Quando fica nas mãos da unidade, no dia em que o franqueado ou o vendedor principal sai, o histórico de leads e oportunidades vai junto.

Visibilidade centralizada com autonomia distribuída. A franqueadora precisa de visibilidade: funil, taxa de conversão, tempo de resposta, volume de oportunidades por unidade. A unidade mantém autonomia para operar dentro desse padrão. Esse equilíbrio é o que separa redes que escalam com controle das que crescem e colapsam de processo.

Processo de treinamento replicável. Quando o padrão de operação vive apenas na cabeça do franqueado mais experiente, cada nova contratação começa do zero. O processo comercial só escala se for possível treinar uma equipe nova com resultado previsível.

O que muda quando a operação é padronizada: o caso da Escola do Mecânico

A Escola do Mecânico é uma rede de educação profissional com mais de 38 unidades em 11 estados e mais de 70 mil profissionais formados. Antes da Rvops, enfrentava desafios comuns a qualquer franquia em expansão: atendimentos dispersos nos WhatsApps pessoais dos vendedores, CRM desatualizado e decisões de gestão tomadas sem dados confiáveis.

Com a implantação, a operação foi centralizada: atendimentos migraram para um canal com histórico unificado, o funil passou a ser rastreado em tempo real e o treinamento aconteceu em dois dias, com o time em produção a partir do terceiro.

O que antes dependia da memória de cada vendedor passou a depender de um fluxo. E fluxo é replicável, independente de quem está operando a unidade.

Resultados dependem do contexto de implantação de cada rede. Quando o processo existe, ele pode ser medido e melhorado. Quando não existe, só pode ser improvisado.

Como tecnologia e automação entram nessa equação

Padronização não significa robotizar o atendimento. Significa que a tecnologia cuida do que é repetitível, e o time humano foca no que exige relação, adaptação e decisão.

  • Roteamento automático de leads: o lead é direcionado para o vendedor certo da unidade certa, independente do canal de origem, sem depender de alguém fazer isso manualmente.
  • Automações de follow-up: quando um lead não recebe retorno dentro do prazo definido, o sistema gera um aviso ou dispara uma mensagem automática de acompanhamento.
  • Visão consolidada por unidade: a franqueadora acompanha o funil de cada unidade em tempo real e identifica onde a operação está com problema, sem precisar acionar o franqueado.
  • Agentes de IA com contexto de CRM: diferente de um chatbot genérico, agentes conectados ao CRM consultam o histórico do lead, registram informações e acionam o vendedor no momento certo, com contexto real.

O erro que a maioria das franqueadoras comete ao tentar padronizar

A maior parte das redes já investiu em padronização, só que no lugar errado: manual de operações, identidade visual, script de atendimento presencial, treinamento de produto. Tudo isso existe e funciona bem.

O que quase nenhuma rede padroniza com a mesma atenção é o processo de receita: como o lead entra, como é qualificado, como avança no funil, como o vendedor faz o acompanhamento e como a franqueadora enxerga tudo isso de forma centralizada.

O resultado é uma rede com produto padronizado e operação comercial improvisada. E quando a meta não é batida, a pergunta errada é feita: “o franqueado está trabalhando?”. A certa seria: “o processo comercial está funcionando?”

Por onde começar

O ponto de partida não é escolher uma ferramenta. É fazer um diagnóstico honesto da operação atual:

  • Quanto tempo em média a rede leva para responder um lead novo, e esse número é o mesmo em todas as unidades?
  • Você consegue comparar a taxa de conversão entre unidades com dados confiáveis?
  • Se um vendedor sair amanhã, o histórico dos leads dele fica acessível para o substituto?
  • A franqueadora consegue identificar qual unidade está com gargalo comercial antes que o problema se agrave?
  • O processo de atendimento ao lead é o mesmo em todas as unidades, ou depende de quem está operando?

Se mais de duas respostas forem “não” ou “não sei”, a operação comercial da rede ainda está rodando no improviso, e cada nova unidade aberta está replicando esse improviso em maior escala.

Conclusão

O franchising brasileiro encerrou 2025 com faturamento recorde. Mas dentro desse mesmo setor, 11 das 50 maiores redes encolheram. Não porque o mercado não estava lá. Na maioria dos casos, o que falhou foi a operação comercial que nunca acompanhou o ritmo da expansão.

O que diferencia redes que crescem de forma sustentável é a capacidade de tornar a operação comercial replicável, visível e mensurável. Isso não acontece com manual em PDF. Acontece quando processo, dados e tecnologia operam juntos, e quando a franqueadora enxerga o que está acontecendo em cada unidade antes que o problema vire número ruim no relatório do trimestre.

Crescer com controle não é uma ambição conservadora. É a única forma de crescer que não cobra caro lá na frente.

Quer entender como a Rvops ajuda redes de franquias a padronizar a operação comercial e ter visibilidade real de todas as unidades? Fale com um especialista.

Fontes

  • FRANData: Análise de desempenho e causas de fechamento em redes de franquias
  • ABF: Pesquisa de Desempenho do Franchising Brasileiro 2025 (março/2026)
  • IstoÉ Dinheiro: Ranking das grandes franquias que mais fecharam unidades em 2025 (março/2026)
  • Harvard Business Review: The Short Life of Online Sales Leads

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